29 maio 2012

Subitamente - que visão de artista! -
Se eu transformasse os simples vegetais,
À luz do Sol, o intenso colorista; 
Num ser humano que se mova e exista
Cheio de belas proporções carnais?!

(Num Bairro Moderno . Lisboa, Verão de 1877)

28 maio 2012

27 maio 2012



Source: regardintemporel.tumblr.com via Rosa on Pinterest

(René Magritte*Georgette Berger)
l'amour tout court

C'est tellement difficile de regarder. On a l'habitude de penser, on réfléchit tout le temps, plus ou moins bien, mais on n'apprend pas aux gens de voir... Apprendre à regarder prend énormément de temps.

25 maio 2012



A alma de uma criança é uma gota de leite com um raio de luz. 
Transformar esse lampejo numa aurora, eis o problema. 
A mão brutal do pedagogo áspero, tocando nessa alma, é como se tocasse numa rosa: enodoa-a. 
Para educar as crianças é necessário amá-las. As escolas devem ser o prolongamento dos berços. Por isso os grandes educadores, como Froebel, têm uma espécie de virilidade maternal. 
O leite é o alimento do berço, o livro o alimento da escola. Entre ambos deverá existir analogia: pureza, fecundidade, simplicidade. 
Livros simples! nada mais complexo. Não são os eruditos gelados que os escrevem; são as almas intuitivas que os adivinham. 
Este livro, em parte, está nesse caso. Reuni para ele tudo o que vi de mais singelo, mais gracioso e mais humano. É um ramo de flores, mas não de flores extravagantes, com coloridos insensatos e aromas venenosos e diabólicos. Para o compor não andei por estufas; andei pelos campos, pelas sebes frescas e orvalhadas, pelos trigais maduros onde riem as papoilas, pelas encostas vestidas de pâmpanos, e pelos arvoredos viçosos e fragrantes, cobertos de frutos, mosqueados de sol e estrelados de ninhos. 
É um ramo de florinhas cândidas, que as mães, à noite, deixarão sem temor na cabeceira dos berços. 

Guerra Junqueiro. "Contos para a Infância"

23 maio 2012

Dias de espelhos quebrados e agulhas perdidas, dias de pálpebras fechadas no horizonte do mar, de horas em tudo semelhantes, dias de cativeiro.

22 maio 2012

Ó contradição pura, volúpia de ser o sono de ninguém sob tantas pálpebras.
Nada é mais astuto do que uma ilha. De certeza que não há coisa no nosso planeta mais parecida com uma nuvem do que uma ilha. Somos sempre enganados.

17 maio 2012

The mandala is an archetypal image whose occurrence is attested throughout the ages. It signifies the wholeness of the Self. This circular image represents the wholeness of the psychic ground or, to put it in mythic terms, the divinity incarnate in man.
Carl Jung . "Memories, Dreams and Reflections"

16 maio 2012

Dá-me lírios, lírios E rosas também. Dá-me rosas, rosas, E lírios também, Crisântemos, dálias, Violetas, e os girassóis Acima de todas as flores...
Deita-me as mancheias, Por cima da alma, Dá-me rosas, rosas, E lírios também...

15 maio 2012

tout de suite

Unfortunately there can be no doubt that man is, on the whole, less good than he imagines himself or wants to be. Everyone carries a shadow, and the less it is embodied in the individual's conscious life, the blacker and denser it is. If an inferiority is conscious, one always has a chance to correct it. Furthermore, it is constantly in contact with other interests, so that it is continually subjected to modifications. But if it is repressed and isolated from consciousness, it never gets corrected.
Carl Jung . "Psychology and Religion" 


Good does not become better by being exaggerated, but worse, and a small evil becomes a big one through being disregarded and repressed. The shadow is very much a part of human nature, and it is only at night that no shadows exist.
Carl Jung . "A Psychological Approach to the Dogma of the Trinity"

14 maio 2012

Já repararam como nos aproximamos sem custo da água e quantas pinturas já vimos sobre este tema? É que estar junto da água nunca é ridículo, não compromete ninguém, não tem sombra de sectarismo, não diz nada de préviamente decidido, deixa-nos pensar... Árvores, prados, montanhas já são outra coisa, têm lá a sua ideia, dizem-na a fundo e para sempre, e obrigam-nos a participar.
Henri Michaux em "Equador"
Há momentos na vida em que sentimos tanto a falta de alguém que o que mais queremos é tirar esta pessoa de nossos sonhos e abraçá-la.

13 maio 2012

10 maio 2012




Gosto de estar no cais, quando chove
a chuva transporta sabores
e odores
que, quando misturados com o mar,
transformam a atmosfera
num ambiente de caldo
que me faz flutuar.

Gosto de estar no cais, quando chove
porque gostava de partir
para onde os sonhos são realidade
e é sempre melhor partir
quando chove.

Gosto de estar no cais quando chove
porque o navio só parte
quando a chuva acaba
e assim encontro razão para não partir
porque só me apetece partir quando chove.

Gosto de estar no cais quando chove
porque fico sempre e talvez
para sempre e
porque a realidade nunca é o que se sonha.

Poema de  Neto de Oliveira (e não de Sophia de Mello Breyner como consta em alguns lugares na rede)

08 maio 2012


(...)
A palavra nevoeiro, por exemplo, não se imagine que é a tradução fiel do brouillard francês ou do fog inglês. O sentido destas palavras é apenas objectivo, é físico somente, enquanto que a palavra nevoeiro tem para nós um segundo sentido subjectivo e misterioso. Nevoeiro encerra a ideia de sonho, aparição futura, esperança, o sebastianismo...
(...)
Teixeira de Pascoaes . "A Saudade e o Saudosismo"

07 maio 2012


La courbe de tes yeux fait le tour de mon coeur.

It’s easier to stick to the habit than to drop it. 
(é mais fácil manter um hábito do que pôr-lhe fim.)

03 maio 2012

Tudo cabe dentro das palavras e o poeta que vê chora lágrimas de tinta

02 maio 2012


A fina curva, a indefinida linha, Com bondades de herbívora mansinha, Eram prenúncios de fraqueza e morte!